segunda-feira, 20 de março de 2017

Roteiro Viagem por Uma História Comprida


Ruínas da Igreja de São Miguel de Cotegipe- Dambe


 1. Cotegipe: A região de Cotegipe fazia parte da sesmaria doada pelo rei de Portugal a Sebastião Alves (conhecido como João Velosa). Nelas, João Velosa teve seu engenho queimado pelos indígenas. Consta que a família de Sebastião Alves, durante quase cem anos, defendeu essas terras das investidas dos inimigos dos portugueses, principalmente os holandeses, até a sua venda para Antônio da Rocha Pita, cuja família manteve a posse por 240 anos.  Cotegipe ia desde o Rio Joanes até o Rio Macaco e a Passagem dos Teixeiras. 



Casarão da Usina Aratu







2. Aratu: Por anos Aratu teve uma grande importância na indústria de açúcar. No ano de 1896 foi fundada a usina Aratu, sendo propriedade da firma Moraes e Cia  e depois da empresa Magalhães. Da sua produção dependiam os Engenhos de Mapele e Cotegipe. Exportava seus produtos pela estrada de ferro da Bahia ao São Francisco e também pela via marítima, através da baía de Aratu e baía de todos os santos. Ficava localizada a dezoito quilômetros da capital da Bahia, exatamente vizinha à estrada de ferro da Bahia a Alagoinhas.


Túnel da Ferrovia de Mapele- 1860
                                                         
                                                                           3. Mapele: Mapele foi uma localidade importante tanto para o distrito de Água Comprida como para o Estado da Bahia, devido à sua posição geográfica nos séculos XIX e XX. Anteriormente, no período compreendido pelos séculos XVII e XVIII, existia em suas terras plantação de cana para produção de açúcar, no Engenho Mapele. Já no século XIX, a região foi ocupada por usinas que produziam o açúcar mascavo. No período em que Água Comprida era distrito de Salvador, Mapele era ponto de veraneio da capital baiana. 
Ruínas da Estação de Mapele- 2017

Tanque do Coronel 

4. Tanque do Coronel: Localizado no bairro do Cia II na região central em Simões Filho. Esse bairro surgiu da habitação popular construída pela URBIS para abrigar trabalhadores do Centro Industrial de Aratu. Antigamente, Simões Filho era conhecida como Freguesia de São Miguel de Cotegipe, e nesta localidade ficava o Engenho Água Cumprida pertencente à família Teive e Argolo, uma das tradicionais famílias baianas presente desde os primórdios da colonização portuguesa na América.



Comunidade Quilombola de Pitanga de Palmares

5. Pitanga de Palmares:  Localidade que está entre os limites de Simões Filho e Camaçari. Em 2005, recebeu o título da Fundação Palmares, Ministério da Cultura, de comunidade remanescente quilombola. São descendentes de africanos escravizados, que mantêm tradições culturais, de subsistência e religiosas ao longo dos séculos. Assim como Pitanga de Palmares apenas Dandá também é reconhecida como Comunidade Tradicional pela Fundação Palmares. Trata-se de uma região marcada por forte influência da cultura afro-brasileira, sendo um local de referência na tradição cultural para a cidade de Simões Filho. 

Ana Cláudia Lopes
Licenciada em História pela UFRB

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017


Ruínas no Dambe- Ruínas da Igreja de São Miguel de Cotegipe. Região de Cotegipe.

O Inicio

 Viagem por uma História Comprida tem por objetivo divulgar a história desta cidade através de oficinas e mediações patrimoniais nas escolas da cidade. É importante sabermos que, Simões Filho tem sua história datada de 1599 quando brigas ocorreram entre portugueses e holandeses pelas posses destas terras. Essa guerra durou anos,até o  século XVII com a derrota dos holandeses.
O primeiro nome dado a essas terras foi Cotegipe. Inicialmente nelas habitavam os indígenas de etnia Tapuia. Depois, Cotegipe foi batizada pelos holandeses como Água Comprida devido ao número de rios, lagos, nascente e principalmente pela Baía de Aratu que adentrava a terra. Permaneceu esse nome até sua emancipação em 1961.
As terras que hoje fazem parte do município de Simões Filho foram doações de Sesmaria a Sebastião Alves (conhecido como João de Velosa) até a venda a Antônio da Rocha Pita. O Engenho de Matoim manteve-se, durante mais de um século no poder e gerência da mesma família. O engenho sobreviveu até os anos de 1899 quando moeu a última safra. Com a decadência da economia açucareira apenas usinas em Aratu e Santo Antônio funcionaram até os anos de 1930. 
Simões Filho sempre foi um ponto de comunicação importante para a capitania e depois província da Bahia. Era pela Estrada Geral do Sertão que passavam as grandes mercadorias em direção ao interior. Inicialmente pela Estrada Real e depois da construção da ferrovia, a cidade passou a ter um importante triângulo ferroviário que vinha do Norte e Nordeste, com destino a Salvador, partindo de Mapele, cortando o Recôncavo baiano, ligando-se às ferrovias do Sudeste do País. Em Mapele havia uma grande concentração de passageiros e cargas.
Quando idealizamos este projeto eu (ex-estudante de escolas municipal e estadual da Cidade) e minha prima (historiadora formada e ex-professora desta Cidade) pensamos em um projeto que levasse às escolas um pouco da cultura e da história de Simões Filho, com recursos que tornassem esse conhecimento atrativo. 
Nosso objetivo é resgatar a história da cidade de Simões Filho através da memória de locais emblemáticos, realizando mediações patrimoniais e oficinas nas Escolas de Ensino Fundamental II na cidade. 
O nome do projeto é uma homenagem ao livro "História Comprida" de Antônio Apolinário da Hora. As ações educativas contam com o apoio de uma exposição itinerante nas escolas e cartilhas ilustrativa que abordam a História através dos pontos históricos da cidade. Assim, os estudantes de Simões Filho conhecerão um pedaço da nossa História e Cultura locais, valorizando o nosso patrimônio e fortalecendo a nossa identidade. Esperamos que esses alunos sejam multiplicadores de conhecimento. Que eles passem para outras pessoas  e que essas pessoas possam entender que Simões Filho não é apenas a cidade estatisticamente mais violenta do Brasil, mas que também é uma cidade que tem cultura e que tem uma história e que sua população pode se orgulhar  disso. E que os alunos possam solicitar que seus professores não só que lhe contem as Histórias de outros países, de outras cidades e/ou de outras pessoas, mas que lhes contem também as nossas histórias, as de nossas famílias, a cultura de nossa gente. 

Venham conhecer e divulgar essa nossa História!


Referência:

História Comprida, de Antônio Apolinário da Hora (2005).





segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Nossa Primeira Reunião

Hoje realizamos a nossa primeira reunião com equipe de mediadores patrimoniais na cidade de Cachoeira. Estiveram presentes Eliane Araújo, Jadson Santos, Rodrigo Paixão, Sumaia Costa e Tamires Costa. Nela apresentamos o projeto, seus objetivos, público-alvo, assuntos burocráticos e as atividades que desenvolveremos nas escolas de Simões Filho. Falamos dos primeiros contato da pesquisa história e iconográfica com a fonte. As dificuldades na construção histórica referente aos pontos analisados. E muitas dúvidas foram tiradas.