Ontem (15.05) foi realizada mais uma etapa do projeto Viagem por uma História Comprida. Visitamos com a nossa Exposição Itinerante a Escola Estadual Polivalente de Aratu que fica localizada entre os bairros do Cia II e Coroa da Lagoa. As atividades foram realizadas com alunos das turmas do 7º e 8º ano dos turnos matutino e vespertino. Tivemos a oficina do educador patrimonial Rodrigo Paixão que tem como título: Entre lugares e memória e a construção da consciência histórica. Também, contamos com a participação dos alunos de ambos horários para a produção de textos, poemas e músicas referentes a História da nossa cidade a partir de palavras sorteadas pelo educador.
Totem sobre a História de Simões Filho
Início da Mediação (Cláudia Lopes)
Participação dos alunos do 7º ano da Escola Polivalente de Aratu
Educador Patrimonial Rodrigo
Contação da história de Olocum
Alunos produzindo na Oficina
Tirando dúvidas com relação a História de Simões Filho.
Obrigada as turmas do 7º ano matutino do Polivalente.
Já no dia 09 de maio de 2017 as atividades ocorreram na Escola Estadual Regina Simões que fica no bairro do Engenho Novo, também conhecido como Estrada de Candeias, em Simões Filho. As atividades aconteceram com os alunos do 6º ano B e contou com a presença da professora de História da escola. As atividades giraram em torno na Exposição dos cinco pontos estudados (Aratu, Mapele, Cotegipe, Tanque do Coronel e Comunidade Palmares) com a apresentação do Patrimônio Histórico e Cultural da cidade e ressaltando a importância do conhecimento deste para a preservação da nossa memória e identidade coletiva. A oficina neste dia foi ministrada pelo Historiador Jadson Ferreira dos Santos e teve como título O Patrimônio Material e Imaterial: História Local como ferramenta de preservação patrimonial- Escola e Comunidades do entorno. Essa atividade contou a participação dos alunos que ao final fizeram desenhos que representavam o conteúdo apresentado, como: as Ruínas do Dambi, Tanque do Coronel, Comunidade Pitanga de Palmares.
Início da Mediação.
Uma parte da Turma do 6º ano B
Educação Patrimonial com Jadson Santos
Participação dos alunos na identificação do Patrimônio Material e Imaterial.
Participação dos alunos na identificação dos bens culturais.
Monitoria ajudando na atividade final da Oficina
Apresentação do desenho representando as Ruínas do Dambi.
Apresentação do desenho referente a uma casa do Quilombo.
A dupla representou o samba de roda da Comunidade de Pitanga de Palmares.
Agradecimento a professora e os alunos pela tarde de troca de conhecimento.
A exposição também aconteceu no Pátio da Escola e contou com a presença de outros estudantes e funcionários da escola que se interessaram pela história do Patrimônio Cultural da nossa cidade.
Projeto “Viagem por uma História Comprida” levará oficinas educativas para escolas de Simões Filho
O projeto “Viagem por uma História Comprida” é uma iniciativa financiado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e Secretária da Fazenda através do edital Setorial de Patrimônio Cultural, Arquitetura e Urbanismo 2016, que tem como finalidade realizar mediações patrimoniais e oficinas nas escolas de fundamental II na cidade de Simões Filho.
As ações educativas terão auxílio de uma cartilha ilustrativa que contará um pouco da história dos pontos pesquisados e que será distribuída em todas as escolas do município. “Temos como objetivo apresentar aos estudantes das redes públicas e privadas do Município de Simões Filho através de oficinas e mediações patrimoniais nas escolas um pedaço da História e Cultura local. Fazendo com que esses possam entender como a cidade foi constituída e um dia foi importante para o desenvolvimento e a comunicação da capital com o interior do país”, contou a coordenadora Ana Cláudia Lopes.
Visando a preservação da memória de locais importantes para o desenvolvimento da história da cidade, de acordo com Ana Claudia o projeto recebeu esse nome como uma homenagem ao livro de Antônio Apolinário da Hora, História Comprida, hoje um dos maiores referenciais para pesquisas acadêmicas relacionadas ao município.
No último dia 25 de abril uma etapa da pré-produção do projeto “Viagem por uma História Comprida” aconteceu, através de uma visita técnica por alguns pontos de Simões Filho, como: Centro de Simões Filho (Antigo terras do Engenho Novo), Cia II e Cia I (Antiga terra do Engenho de Água Comprida), Mapele (Estação de Mapele), Aratu (Ruína do Casarão dos Magalhães e Usina Aratu).
Também foi realizada uma reunião de preparação para monitores e mediadores patrimoniais (oficineiros), ministrado por Cláudia Lopes. Tendo a presença de Bárbara Nogueira ( pesquisadora) trazendo para o grupo suas experiências no caminho da pesquisa. Esse momento foi de grande importância, pois o grupo conseguiu entender a complexidade e a grandiosidade da História Local, além da troca de experiências e conhecimento patrimonial, histórico e pedagógico.
No mês de maio de 2017 iniciam-se a Exposição Itinerante juntamente com as oficinas temáticas nas Escolas de Simões Filho. As atividades serão realizadas com turmas do Fundamental II, onde serão abordadas além da História dos pontos, analisados e já relatados, questões em torno da Identidade Coletiva e Pessoal, História e Memória, Patrimônio, História Local, História Oral, Bens Culturais e Educação Patrimonial.
De acordo com o cronograma pré estabelecido, será visitada na tarde desta segunda-feira (08) a Escola Estadual Reitor Miguel Calmon, na terça 09/05 Escola Estadual Regina Simões, no dia 15/05 Escola Polivalente de Aratu, 17/05 Hermes Miranda, 22/05 Centro Educacional Santo Antonio e 23/05 Escola Berlindo Mamede de Oliveira.
A iniciativa contou também com o apoio da Prefeitura de Simões Filho, através da Secretaria Municipal de Educação (SEMED).
Nessa última segunda-feira dia 08/05/2017 aconteceu o lançamento do Projeto Viagem por uma História Comprida na Escola Estadual Reitor Miguel Calmon no bairro Ponto Parada. Contamos com a presença da turma do 6º ano Vespertino A e no período de 3 horas e meia, trocamos conhecimento com relação a História e Cultura da nossa cidade através da Mediação Patrimonial e das Ações Educacionais, com a Oficina "Mito da Origem": A arte (teatral) como expressão da nossa História/ Memória e Identidade, ministrada pela historiadora Tamires Costa. A participação da turma foi bastante satisfatória e ao final os grupos apresentaram um pequena amostra do conhecimento adquirido naquela tarde através de uma breve apresentação, os assuntos abordados pelas equipes foram: Luta pelas terras entre indígenas e portugueses, a cultura da Comunidade Palmares e Pitanga do Palmares, a escravidão e o Tanque do Coronel.
Neste primeiro momento, o contato com os alunos foi de suma importância para entendermos a necessidade de mais atividades destas que tragam ao universo das escolas um pouco mais do Patrimônio Histórico e Cultural da nossa cidade. Acreditamos que tanto, os alunos como os professores que acompanharam as atividades serão multiplicadores desta História.
Equipe de Educadores Patrimoniais e Monitores (da esquerda para direita Lorna Glenda,
Tamires Costa, Marilane Santana, Jadson Santos e Tanise Andrade).
Turma 6º ano da Escola Estadual Reitor Miguel Calmon
No
século XIX o Engenho de Água Comprida pertencia a tradicional família baiana,
os Teive e Argolo e suas origens remontam aos primórdios da colonização
brasileira. João de Teive e Argolo e Ana Cypreste de Pina e Mello de Teive e
Argolo casaram-se e após a morte de seu esposo, seu filho João de Teive e
Argolo passou a administrar suas propriedades. Este se casou com Leonor Maria
Pires de Aragão Bulcão, filha de uma importante família aristocrática baiana
(SILVA, 2017). O engenho de Água Comprida
ficava na Freguesia de São Miguel do Cotegipe, hoje Simões Filho, e junto com a
Freguesia de Pirajá, Iguape, as Vilas de São Francisco e Santo Amaro constituía
os principais centros de produção açucareira no Recôncavo.
O
Tanque do Coronel hoje pertencente à região do Cia II (em Simões Filho) é uma
localidade rodeada de lendas. Consta segundo a população local que o manancial
é mal assombrado e a noite é fácil ouvir ladainhas, gemidos de dor e choros.
Tudo isso por conta de um Coronel que usava de violência com seus escravos. Amarrava-os
a um pelourinho e ali os cativos sofriam as maiores violências. Em entrevista
com o morador do bairro, residente no mesmo a mais de 26 anos e pescador; há
alguns anos atrás mergulhadores verificaram que existiam ainda correntes no
fundo do Tanque. O local ainda conta com a história de pessoas que ao entrarem
para se banhar saíram de lá loucas, sem falar nos inúmeros afogamentos que já
foram presenciados ali, e, que a população delega a culpa aos acontecimentos
sobrenaturais que rodeiam o local.
Imagem do Tanque do Coronel- por Bárbara Nogueira.
O
final do século XIX as questões em torno do fim da escravidão já pairava sobre
as províncias brasileiras. As leis em torno das proibições da
escravatura iniciam-se em 1850 com a Lei Eusébio de Queiróz. Essa lei proibia o
tráfico de escravos para o Brasil. No entanto, o número de cativos que entraram
no Brasil depois de 1850 aumentou consideravelmente, formando assim o tráfico
ilegal. Depois teve a Lei do
Ventre Livre no ano de 1871, considerada a primeira Lei abolicionista do
Brasil, onde os filhos dos cativos após a promulgação da mesma nasceriam livres.
Porém, o liberto deveria permanecer trabalhando para o senhor até os 21 anos de
idade. A lei dos Sexagenários promulgada em 1885 dava liberdade aos escravos com mais de 65 anos de idade. Uma lei formulada
para uma realidade que não existia, pois os escravos tinham expectativa de vida
de até 40 anos.
Os
anos entre 1870 a 1880 foram marcantes pela organização de instituições
abolicionistas, como: Sociedade Libertadora Sete de Setembro e a Sociedade
Libertadora Baiana, tendo como principal liderança o Eduardo Carigé. Eduardo Carigé vai acusar João de Teive e
Argolo de assassinato por ter batido no seu escravo Damião com um “porrete” e o
mesmo ter ido a óbito. Carigé soube desta informação através do crioulo Damião,
escravo fugido do Engenho Água Comprida, após ter levado 300 “palmadas”, sendo
200 em uma quarta-feira aplicadas pelo feitor Procópio e 100 restantes na
sexta-feira pelo metedor de fogo Rafael, ambos escravos, os motivos pelo
castigo seria a cauda cortada de um boi que segundo Silvestre tinha sido
causado por um cachorro. Segundo Silvestre Damião apesar de 24 anos de idade
quando faleceu, sofria constantemente de cansaço e por isso não
conseguia ter habilidade no trabalho como os outros, chateado com isso Teive e
Argolo teria dado umas cacetadas no escravo, usando um porrete que o mesmo
sempre trazia a mãos, provocando os ferimentos que o levaram a óbito.
Desenho que representa a história contada pela população local. Desenho de Alessandro Couto Maia.
Silvestre após fugir procurou Carigé e contou
que João de Teive e Argolo “senhor moço” estava acostumado a castigar os
escravos do engenho, fato que era de conhecimento de sua mãe ao qual durante
diversas vezes presenciou os feitos sem dizer absolutamente nada (SILVA,
2017). Além de Silvestre, os escravos
Tibúrcio e Teotônio, ambos carreiros, haviam sido também castigados por
demorarem com o carro no mato. O escravo Teotônio pertencia ao tio de João,
Miguel de Teive e Argolo dono do Engenho Novo de São João, porém estava
alugado. Maus tratos no final do século
XIX eram atitudes senhoriais que vinham sendo condenadas frequentemente,
principalmente com a veiculação constante que se fazia destes acontecimentos no
jornal abolicionista Gazeta da Bahia. Foi utilizando deste argumento que Carigé
acusou João de Argolo e Teive de assassino, tentando chegar a um acordo com o
senhor para a liberação da alforria do cativo, porém sem sucesso.
No
entanto, a versão de Silvestre não teve confirmação. Pois, intimados a depor
como informantes vários escravos do engenho de Água Comprida, como: Vicente,
Tibúrcio, Teotônio, Eufêmia, Paulino, Romana, Guilherme (este último, seu irmão)
e o liberto Sinfrônio negaram a acusação, afirmando que nunca ouviram falar de
assassinato e Damião vivia doente e morrera de cansaço. Agregados moradores ou
trabalhadores do engenho também confirmaram essas acusações. Assim como o
proprietário Manoel Pereira da Rocha, de 82 anos, morador na Fazenda Dambé, o
lavrador Bento de Oliveira, de 62 anos, o mestre de açúcar Manoel Joaquim
Barbosa, de 70 anos, e o oficial de carpina Manoel Paulo da Costa. Todos eles
também atestaram a boa conduta de João de Teive e Argolo no tratamento dos
escravos, confirmando que no engenho existia uma enfermaria com a enfermeira Eufêmia
que cuidava dos doentes na ausência do médico (SILVA, 2017). Em depoimento João
de Teive e Argolo, afirmou que quando assumiu a administração do engenho de sua
mãe já encontrou o escravo Damião inválido pela gravidade da moléstia de
inflamação geral que o escravo sofria, e mediante as orientações médicas dadas
por seu primo, o Dr. José de Teive e Argolo (falecido em 1879), empenhou-se em
tratar de Damião, tendo inclusive encarregado outro escravo mais velho de
fiscalizar se este estava tomando o preparado de ferro que lhe fora receitado.
Entretanto, mesmo com estes cuidados o escravo vivia constantemente doente, e
por isso veio repentinamente a falecer.
Desta
forma, não existindo qualquer pista ou contradição nos depoimentos prestados, o
delegado Antônio José Marques concluiu o inquérito julgando improcedente a
denúncia feita pela Libertadora Bahiana. E o suposto crime cometido em 1874
nunca veio à tona, embora tenha ficado na memória dos cativos dali (SILVA,
2017). Acreditamos que através da oralidade que esta história foi se mantendo
viva até os dias de hoje na História Local dos moradores de Simões Filho. Desta
forma, Tanque do Coronel que é ponto de entretenimento da população
simõesfilhense, também, faz parte da Cultura da cidade, como um patrimônio
imaterial.
Ana Cláudia Lopes
Licenciada em História pela UFRB
Referência:
ALBUQUERQUE,
Wlamyra R. de. O jogo da dissimulação: abolição e cidadania negra do Brasil;
Wlamyra R. de Albuquerque- São Paulo: Companhia das Letras, 2009. HORA, Antônio Apolinário da. História Comprida/ Antônio Apolinário da Hora.- Simões Filho: Secretária de Cultura e Desportos, 2005.
MATTOSO,
Kátia M. de Queirós. Ser escravo no Brasil / Kátia M. de Queirós Mattoso:
tradução James Amado.— São Paulo: Brasiliense, 2003.
SILVA,
Ricardo Tadeu Caires.CAMINHOS E
DESCAMINHOS DA ABOLIÇÃO: ESCRAVOS, SENHORES E DIREITOS NAS ÚLTIMAS DÉCADAS DA
ESCRAVIDÃO (BAHIA, 1850-1888).Dissertação (mestrado) – UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ-
UFPR - SETOR DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM
HISTÓRIA. Curitiba, 2017.
No mês de maio de 2017 iniciam-se a Exposição Itinerante juntamente com as oficinas temáticas nas Escolas de Simões Filho. As atividades serão realizadas com turmas do Fundamental II. Nelas abordaremos além da História dos pontos, analisados e já relatados aqui, trataremos de questões em torno da Identidade Coletiva e Pessoal, História e Memória, Patrimônio, História Local, História Oral, Bens Culturais e Educação Patrimonial.
No último dia 25 de
abril mais uma etapa da pré-produção do projeto Viagem por uma História Comprida aconteceu, através de uma visita técnica por alguns pontos de Simões Filho, como: Centro de Simões Filho (Antigo terras do Engenho
Novo), Cia II e Cia I (Antiga terra do Engenho de Água Comprida), Mapele
(Estação de Mapele), Aratu (Ruína do Casarão dos Magalhães e Usina Aratu). Assim
como, uma reunião de preparação para monitores e mediadores patrimoniais (oficineiros),
ministrado por Cláudia Lopes. Tendo a presença de Bárbara Nogueira ( pesquisadora que deu apoio a Tâmara Soledade) trazendo para o grupo suas experiências no
caminho da pesquisa. Esse momento foi de grande importância, pois o grupo
conseguiu entender a complexidade e a grandiosidade da História Local, além da
troca de experiências e conhecimento patrimonial, histórico e pedagógico. A atividade contou com a presença de Esmeralda Borges (Proponente), Mary Santana,
Tanise Andrade (monitoras) e Eliane Araújo, Jadson Santos, Rodrigo Paixão e Tamires Costa (oficineiros), Lorna Lunière (Assessoria de Imprensa). Essa atividade somou de forma positiva ao
processo de pré-produção, pois foi um momento final para que cada participante
pudesse tirar suas dúvidas e entender sua real importância para o
desenvolvimento do projeto nesta nova etapa que a partir de maio do ano
corrente acontecerá nas escolas da cidade.