quinta-feira, 25 de maio de 2017

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Projeto cultural resgata memória e incentiva preservação patrimonial nas escolas de Simões Filho

Projeto cultural resgata memória e incentiva preservação patrimonial nas escolas de Simões Filho

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Durante os meses de maio e junho, o projeto cultural “Viagem por uma História Comprida em Simões Filho” vai promover oficinas e mediações patrimoniais nas escolas de fundamental II públicas e privadas do município. O objetivo é fomentar e preservar a memória dos locais importantes para o desenvolvimento da história da cidade.

Essa iniciativa é financiada pelo Edital Setorial de Patrimônio Cultural 2016 do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult/BA) e do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA). “Os editais da Secult/BA, com recursos do FCBA, possibilitam que a sociedade participe das políticas públicas museológicas de difusão e preservação da memória, neste caso, através de oficinas e mediações patrimoniais”, explica o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira.

O projeto recebe esse nome como uma homenagem ao livro “História Comprida”, de Antônio Apolinário da Hora. As ações educativas tem auxílio de cartilhas ilustrativas que estão sendo distribuídas por todas as escolas, sendo um meio de conhecimento e multiplicação da história da cidade pelos alunos. “Os Editais Setoriais de Museus e Patrimônio dialogam com elos da rede produtiva de cada setor, possibilitando a realização de projetos relacionados à pesquisa, formação, difusão, circulação, memória e ações transversais em suas áreas específicas. Assim, eles possibilitam a continuidade de ações estratégicas de desenvolvimento e fortalecimento do patrimônio cultural baiano”, diz a coordenadora de Editais do IPAC, Ana Coelho.

A iniciativa foca as discussões em cinco pontos que fazem parte da história da cidade: A região de Cotegipe, Aratu/Ruínas DAMI, Mapele, Comunidade Palmares e a Fonte do Coronel. “Conhecer alguns acontecimentos da trajetória da Bahia, que fazem parte do legado cultural e patrimonial de Simões Filho e de toda região metropolitana, é uma excelente oportunidade de mostrar à população local e baiana que a cidade pode ser notícia pela sua riqueza cultural”, diz a proponente Esmeralda Borges.

FINANCIAMENTO - O projeto “Viagem por uma História Comprida em Simões Filho” está sendo financiado com recursos de R$ 129.970 mil pelo Fundo de Cultura. Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas.

Os projetos financiados pelo FCBA são aqueles que, apesar da importância do significado, têm baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. São quatro linhas de apoio: editais setoriais, ações continuadas, eventos calendarizados, mobilidade artística.
Para mais informações, ligue para a Coordenação de Editais do IPAC (71) 3117-7482. Conheça os projetos e programas do IPAC: www.ipac.ba.gov.br, Facebook: Ipacba Patrimônio, Twitter @ipac_ba e Instagram @ipac.ba.

Fotos em BAIXA resolução em ANEXO.
Crédito Fotográfico obrigatório – Lei nº 9610/98: Lorna Lunière

Assessoria de Comunicação – IPAC, em 22.05.2017
(71) 3117-6490, 3116-6673, 99110-5099, 99922-1743
Jornalista responsável Geraldo Moniz de Aragão (DRT-BA nº 1498)
Coordenação de Jornalismo e Edição: Marco Cerqueira (DRT-BA nº1851)
(71) 98234-9940
Texto-base e entrevistas: Elaine Mendes (estagiária Jornalismo)
Facebook: Ipacba Patrimônio – Twitter: @ipac_ba – Instagram: @ipac.ba

http://www.ipac.ba.gov.br/noticias/projeto-cultural-resgata-memoria-e-incentiva-preservacao-patrimonial-nas-escolas-de-simoes-filho

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Oficina "Entre lugares e memória e a construção da consciência histórica" com educador patrimonial Rodrigo Paixão.



Ontem (15.05) foi realizada mais uma etapa do projeto Viagem por uma História Comprida. Visitamos com a nossa Exposição Itinerante a Escola Estadual Polivalente de Aratu que fica localizada entre os bairros do Cia II e Coroa da Lagoa. As atividades foram realizadas com alunos das turmas do 7º e 8º ano dos turnos matutino e vespertino. Tivemos a oficina do educador patrimonial Rodrigo Paixão que tem como título: Entre lugares e memória e a construção da consciência histórica. Também, contamos com a participação dos alunos de ambos horários para a produção de textos, poemas e músicas referentes a História da nossa cidade a partir de palavras sorteadas pelo educador.

Totem sobre a História de Simões Filho



Início da Mediação (Cláudia Lopes)



Participação dos alunos do 7º ano da Escola Polivalente de Aratu






Educador Patrimonial Rodrigo




Contação da história de Olocum






Alunos produzindo na Oficina












Tirando dúvidas com relação a História de Simões Filho.






Obrigada as turmas do 7º ano matutino do Polivalente.



Alunos da Tarde produzindo na oficina


















Obrigada a turma da tarde pela participação.























sexta-feira, 12 de maio de 2017

Oficina: O Patrimônio Material e Imaterial: História Local como ferramenta de preservação patrimonial- Escola e Comunidades do entorno com Jadson Santos

Já no dia 09 de maio de 2017 as atividades ocorreram na Escola Estadual Regina Simões que fica no bairro do Engenho Novo, também conhecido como Estrada de Candeias, em Simões Filho. As atividades aconteceram com os alunos do 6º ano B e contou com a presença da professora de História da escola.  As atividades giraram em torno na Exposição dos cinco pontos estudados (Aratu, Mapele, Cotegipe, Tanque do Coronel e Comunidade Palmares) com a apresentação do Patrimônio Histórico e Cultural da cidade e ressaltando a importância do conhecimento deste para a preservação da nossa memória e identidade coletiva. A oficina neste dia foi ministrada pelo Historiador Jadson Ferreira dos Santos e teve como título O Patrimônio Material e Imaterial: História Local como ferramenta de preservação patrimonial- Escola e Comunidades do entorno. Essa atividade contou a participação dos alunos que ao final fizeram desenhos que representavam o conteúdo apresentado, como: as Ruínas do Dambi, Tanque do Coronel, Comunidade Pitanga de Palmares. 

Início da Mediação. 

Uma parte da Turma do 6º ano B

Educação Patrimonial com Jadson Santos 

Participação dos alunos na identificação do Patrimônio Material e Imaterial. 

Participação dos alunos na identificação dos bens culturais.

Monitoria ajudando na atividade final da Oficina

Apresentação do desenho representando as Ruínas do Dambi.

Apresentação do desenho referente a uma casa do Quilombo. 


A dupla representou o samba de roda da Comunidade de Pitanga de Palmares.

Agradecimento a professora e os alunos pela tarde de troca de conhecimento.


A exposição também aconteceu no Pátio da Escola e contou com a presença de outros estudantes e funcionários da escola  que se interessaram pela história do Patrimônio Cultural da nossa cidade. 









Projeto “Viagem por uma História Comprida” levará oficinas educativas para escolas de Simões Filho

O projeto “Viagem por uma História Comprida” é uma iniciativa financiado pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e Secretária da Fazenda através do edital Setorial de Patrimônio Cultural, Arquitetura e Urbanismo 2016, que tem como finalidade realizar mediações patrimoniais e oficinas nas escolas de fundamental II na cidade de Simões Filho.
As ações educativas terão auxílio de uma cartilha ilustrativa que contará um pouco da história dos pontos pesquisados e que será distribuída em todas as escolas do município. “Temos como objetivo apresentar aos estudantes das redes públicas e privadas do Município de Simões Filho através de oficinas e mediações patrimoniais nas escolas um pedaço da História e Cultura local. Fazendo com que esses possam entender como a cidade foi constituída e um dia foi importante para o desenvolvimento e a comunicação da capital com o interior do país”, contou a coordenadora Ana Cláudia Lopes.
Visando a preservação da memória de locais importantes para o desenvolvimento da história da cidade, de acordo com Ana Claudia o projeto recebeu esse nome como uma homenagem ao livro de Antônio Apolinário da Hora, História Comprida, hoje um dos maiores referenciais para pesquisas acadêmicas relacionadas ao município.
No último dia 25 de abril uma etapa da pré-produção do projeto “Viagem por uma História Comprida” aconteceu, através de uma visita técnica por alguns pontos de Simões Filho, como: Centro de Simões Filho (Antigo terras do Engenho Novo), Cia II e Cia I (Antiga terra do Engenho de Água Comprida), Mapele (Estação de Mapele), Aratu (Ruína do Casarão dos Magalhães e Usina Aratu).
Também foi realizada uma reunião de preparação para monitores e mediadores patrimoniais (oficineiros), ministrado por Cláudia Lopes. Tendo a presença de Bárbara Nogueira ( pesquisadora) trazendo para o grupo suas experiências no caminho da pesquisa. Esse momento foi de grande importância, pois o grupo conseguiu entender a complexidade e a grandiosidade da História Local, além da troca de experiências e conhecimento patrimonial, histórico e pedagógico.
No mês de maio de 2017 iniciam-se a Exposição Itinerante juntamente com as oficinas temáticas nas Escolas de Simões Filho. As atividades serão realizadas com turmas do Fundamental II, onde serão abordadas além da História dos pontos, analisados e já relatados, questões em torno da Identidade Coletiva e Pessoal, História e Memória, Patrimônio, História Local, História Oral, Bens Culturais e Educação Patrimonial.
De acordo com o cronograma pré estabelecido, será visitada na tarde desta segunda-feira (08) a Escola Estadual Reitor Miguel Calmon, na terça 09/05 Escola Estadual Regina Simões, no dia 15/05 Escola Polivalente de Aratu, 17/05 Hermes Miranda, 22/05 Centro Educacional Santo Antonio e 23/05 Escola Berlindo Mamede de Oliveira.
A iniciativa contou também com o apoio da Prefeitura de Simões Filho, através da Secretaria Municipal de Educação (SEMED).

http://mapelenews.com.br/projeto-viagem-por-uma-historia-comprida-levara-oficinas-educativas-para-escolas-de-simoes-filho/

LANÇAMENTO DO PROJETO VIAGEM POR UMA HISTÓRIA COMPRIDA

Nessa última segunda-feira dia 08/05/2017 aconteceu o lançamento do Projeto Viagem por uma História Comprida na Escola Estadual Reitor Miguel Calmon no bairro Ponto Parada. Contamos com a presença da turma do 6º ano Vespertino A e no período de 3 horas e meia, trocamos conhecimento com relação a História e Cultura da nossa cidade através da Mediação Patrimonial e das Ações Educacionais, com a Oficina "Mito da Origem": A arte (teatral) como expressão da nossa História/ Memória e Identidade, ministrada pela historiadora Tamires Costa. A participação da turma foi bastante satisfatória e ao final os grupos apresentaram um pequena amostra do conhecimento adquirido naquela tarde através de uma breve apresentação, os assuntos abordados pelas equipes foram: Luta pelas terras entre indígenas e portugueses, a cultura da Comunidade Palmares e Pitanga do Palmares, a escravidão  e o Tanque do Coronel. 
Neste primeiro momento, o contato com os alunos foi de suma importância para entendermos a necessidade de mais atividades destas que tragam ao universo das escolas um pouco mais do Patrimônio Histórico e Cultural da nossa cidade. Acreditamos que tanto, os alunos como os professores que acompanharam as atividades serão multiplicadores desta História. 

Equipe de Educadores Patrimoniais e Monitores (da esquerda para direita Lorna Glenda,
Tamires Costa, Marilane Santana, Jadson Santos e Tanise Andrade).

Turma 6º ano da Escola Estadual Reitor Miguel Calmon

Mediação Patrimonial com Ana Cláudia Lopes 

Oficina com Tamires Costa 

Momento final da Oficina. 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

TANQUE DO CORONEL E SUAS CURIOSIDADES

No século XIX o Engenho de Água Comprida pertencia a tradicional família baiana, os Teive e Argolo e suas origens remontam aos primórdios da colonização brasileira. João de Teive e Argolo e Ana Cypreste de Pina e Mello de Teive e Argolo casaram-se e após a morte de seu esposo, seu filho João de Teive e Argolo passou a administrar suas propriedades. Este se casou com Leonor Maria Pires de Aragão Bulcão, filha de uma importante família aristocrática baiana (SILVA, 2017).  O engenho de Água Comprida ficava na Freguesia de São Miguel do Cotegipe, hoje Simões Filho, e junto com a Freguesia de Pirajá, Iguape, as Vilas de São Francisco e Santo Amaro constituía os principais centros de produção açucareira no Recôncavo.

O Tanque do Coronel hoje pertencente à região do Cia II (em Simões Filho) é uma localidade rodeada de lendas. Consta segundo a população local que o manancial é mal assombrado e a noite é fácil ouvir ladainhas, gemidos de dor e choros. Tudo isso por conta de um Coronel que usava de violência com seus escravos. Amarrava-os a um pelourinho e ali os cativos sofriam as maiores violências. Em entrevista com o morador do bairro, residente no mesmo a mais de 26 anos e pescador; há alguns anos atrás mergulhadores verificaram que existiam ainda correntes no fundo do Tanque. O local ainda conta com a história de pessoas que ao entrarem para se banhar saíram de lá loucas, sem falar nos inúmeros afogamentos que já foram presenciados ali, e, que a população delega a culpa aos acontecimentos sobrenaturais que rodeiam o local.
Imagem do Tanque do Coronel-  por Bárbara Nogueira.

O final do século XIX as questões em torno do fim da escravidão já pairava sobre as províncias brasileiras.  As leis em torno das proibições da escravatura iniciam-se em 1850 com a Lei Eusébio de Queiróz. Essa lei proibia o tráfico de escravos para o Brasil. No entanto, o número de cativos que entraram no Brasil depois de 1850 aumentou consideravelmente, formando assim o tráfico ilegal.  Depois teve a Lei do Ventre Livre no ano de 1871, considerada a primeira Lei abolicionista do Brasil, onde os filhos dos cativos após a promulgação da mesma nasceriam livres. Porém, o liberto deveria permanecer trabalhando para o senhor até os 21 anos de idade. A lei dos Sexagenários promulgada em 1885 dava liberdade aos escravos com mais de 65 anos de idade. Uma lei formulada para uma realidade que não existia, pois os escravos tinham expectativa de vida de até 40 anos. 
Os anos entre 1870 a 1880 foram marcantes pela organização de instituições abolicionistas, como: Sociedade Libertadora Sete de Setembro e a Sociedade Libertadora Baiana, tendo como principal liderança o Eduardo Carigé.  Eduardo Carigé vai acusar João de Teive e Argolo de assassinato por ter batido no seu escravo Damião com um “porrete” e o mesmo ter ido a óbito. Carigé soube desta informação através do crioulo Damião, escravo fugido do Engenho Água Comprida, após ter levado 300 “palmadas”, sendo 200 em uma quarta-feira aplicadas pelo feitor Procópio e 100 restantes na sexta-feira pelo metedor de fogo Rafael, ambos escravos, os motivos pelo castigo seria a cauda cortada de um boi que segundo Silvestre tinha sido causado por um cachorro. Segundo Silvestre Damião apesar de 24 anos de idade quando faleceu, sofria constantemente de cansaço e por isso não conseguia ter habilidade no trabalho como os outros, chateado com isso Teive e Argolo teria dado umas cacetadas no escravo, usando um porrete que o mesmo sempre trazia a mãos, provocando os ferimentos que o levaram a óbito.
Desenho que representa a história contada pela população local.
Desenho de Alessandro Couto Maia.

 Silvestre após fugir procurou Carigé e contou que João de Teive e Argolo “senhor moço” estava acostumado a castigar os escravos do engenho, fato que era de conhecimento de sua mãe ao qual durante diversas vezes presenciou os feitos sem dizer absolutamente nada (SILVA, 2017).  Além de Silvestre, os escravos Tibúrcio e Teotônio, ambos carreiros, haviam sido também castigados por demorarem com o carro no mato. O escravo Teotônio pertencia ao tio de João, Miguel de Teive e Argolo dono do Engenho Novo de São João, porém estava alugado.  Maus tratos no final do século XIX eram atitudes senhoriais que vinham sendo condenadas frequentemente, principalmente com a veiculação constante que se fazia destes acontecimentos no jornal abolicionista Gazeta da Bahia. Foi utilizando deste argumento que Carigé acusou João de Argolo e Teive de assassino, tentando chegar a um acordo com o senhor para a liberação da alforria do cativo, porém sem sucesso.
No entanto, a versão de Silvestre não teve confirmação. Pois, intimados a depor como informantes vários escravos do engenho de Água Comprida, como: Vicente, Tibúrcio, Teotônio, Eufêmia, Paulino, Romana, Guilherme (este último, seu irmão) e o liberto Sinfrônio negaram a acusação, afirmando que nunca ouviram falar de assassinato e Damião vivia doente e morrera de cansaço. Agregados moradores ou trabalhadores do engenho também confirmaram essas acusações. Assim como o proprietário Manoel Pereira da Rocha, de 82 anos, morador na Fazenda Dambé, o lavrador Bento de Oliveira, de 62 anos, o mestre de açúcar Manoel Joaquim Barbosa, de 70 anos, e o oficial de carpina Manoel Paulo da Costa. Todos eles também atestaram a boa conduta de João de Teive e Argolo no tratamento dos escravos, confirmando que no engenho existia uma enfermaria com a enfermeira Eufêmia que cuidava dos doentes na ausência do médico (SILVA, 2017). Em depoimento João de Teive e Argolo, afirmou que quando assumiu a administração do engenho de sua mãe já encontrou o escravo Damião inválido pela gravidade da moléstia de inflamação geral que o escravo sofria, e mediante as orientações médicas dadas por seu primo, o Dr. José de Teive e Argolo (falecido em 1879), empenhou-se em tratar de Damião, tendo inclusive encarregado outro escravo mais velho de fiscalizar se este estava tomando o preparado de ferro que lhe fora receitado. Entretanto, mesmo com estes cuidados o escravo vivia constantemente doente, e por isso veio repentinamente a falecer.
Desta forma, não existindo qualquer pista ou contradição nos depoimentos prestados, o delegado Antônio José Marques concluiu o inquérito julgando improcedente a denúncia feita pela Libertadora Bahiana. E o suposto crime cometido em 1874 nunca veio à tona, embora tenha ficado na memória dos cativos dali (SILVA, 2017). Acreditamos que através da oralidade que esta história foi se mantendo viva até os dias de hoje na História Local dos moradores de Simões Filho. Desta forma, Tanque do Coronel que é ponto de entretenimento da população simõesfilhense, também, faz parte da Cultura da cidade, como um patrimônio imaterial.


Ana Cláudia Lopes
Licenciada em História pela UFRB


Referência:

ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de. O jogo da dissimulação: abolição e cidadania negra do Brasil; Wlamyra R. de Albuquerque- São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
HORA, Antônio Apolinário da. História Comprida/ Antônio Apolinário da Hora.- Simões Filho: Secretária de Cultura e Desportos, 2005.  
MATTOSO, Kátia M. de Queirós. Ser escravo no Brasil / Kátia M. de Queirós Mattoso: tradução James Amado.— São Paulo: Brasiliense, 2003. 
SILVA, Ricardo Tadeu Caires. CAMINHOS E DESCAMINHOS DA ABOLIÇÃO: ESCRAVOS, SENHORES E DIREITOS NAS ÚLTIMAS DÉCADAS DA ESCRAVIDÃO (BAHIA, 1850-1888). Dissertação (mestrado) – UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ- UFPR - SETOR DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA. Curitiba, 2017.