quarta-feira, 18 de abril de 2018

Cartilha Viagem por uma História Comprida


            O projeto Viagem por uma História Comprida tem a honrar de encerrar um ciclo de suas atividades com a distribuição das Cartilhas que tem como título, o mesmo nome do projeto, Viagem por uma História Comprida. Essas cartilhas foram desenvolvidas através de pesquisa primárias e secundárias com a finalidade de ser mais um recurso pedagógico para a construção do conhecimento dos estudantes dessa cidade sobre a nossa história e cultura. Desta forma, foi através do incentivo financeiro do Governo do Estado da Bahia através do Fundo de Cultura e das secretarias da Fazenda e Cultura que todo esse trabalho pode ser desenvolvido no município. Contamos com o apoio da Prefeitura Municipal na liberação das escolas para que pudéssemos desenvolver nossas atividades. No ano de 2017 atuamos em 17 escolas, sendo cinco estaduais e doze municipais. No ano de 2018 estamos nos planejando para atuarmos em mais 9 escolas aquelas que não foram contempladas no ano passado.
            Esse projeto assim como, a cartilha abordam cinco pontos da cidade antes da sua emancipação e que foram importantes para o desenvolvimento histórico, político, econômico e cultural de Simões Filho. Sendo eles; Aratu e sua baía de Aratu, Cotegipe e Ruínas do Dambe, Mapele e Estação Ferroviária, Tanque do Coronel e Comunidade Pitanga de Palmares. Desta forma, essa cartilha conta um pouco da História de cada um desses lugares e é um convite para que mais pessoas busquem informações acerca da História e Cultura dessa cidade.
             Nessa primeira etapa de entrega estaremos levando as cartilhas para as escolas que receberam as mediações patrimoniais e as ações educativas.  



              
Organizando as encomendas

Olha como ficou linda a cartilha! 


Último passo do projeto 

Uma parte das embalagens



terça-feira, 12 de dezembro de 2017

II Encontro Re-Pensar o Recôncavo

No último dia (11) de dezembro a coordenadora Ana Cláudia Lopes e a mediadora Tanise Andrade  participaram do II Encontro (Re)Pensar Recôncavo- Cultura, Turismo e Desenvolvimento- CAHL/ UFRB na cidade de Cachoeira. Apresentando o artigo "VIAGEM POR UMA HISTÓRIA COMPRIDA: divulgando o patrimônio histórico de Simões Filho nas Escolas Públicas." escrito por Ana Cláudia Lopes, Tanise Andrade e Eliane Araújo, no GT5- Patrimônio Histórico e Educação que teve como coordenadora: Patrícia Verônica Pereira dos Santos.  Esse artigo foi pensado pelas mediadoras e oficineira após a conclusão das atividades do projeto Viagem por uma História Comprida  em Simões Filho buscando analisar alguns pontos abordados no decorrer do projeto e também analisar as oficinas e participações das escolas envolvidas. Foi muito enriquecedor a participação no GT5 porque tivemos a oportunidade de divulgar o projeto e um pouco da História de Simões Filho.  





terça-feira, 7 de novembro de 2017

SIMÕES FILHO 56 ANOS DE EMANCIPAÇÃO E 464 ANOS DE HISTÓRIA.

No ano de 1961, assim conta Antônio Apolinário, cidadãos engajados politicamente com apoio de alguns deputados vinham mobilizando os moradores de Água Comprida para o Plebiscito onde a população resolveria se Água Comprida tornar-se-ia uma cidade ou permaneceria ligada a Salvador como Distrito.
Desta forma, no dia 08 de novembro de 1961, Antônio Apolinário seguiu com Walter Tolentino no trem das sete horas em direção a Mapele para o encontro com lideranças locais. Após esse encontro seguiram por via marítima até Passagem dos Teixeiras que ainda pertencia a Água Comprida com o mesmo objetivo de conscientizar a população da necessidade do Plebiscito com relação à emancipação. Após a conclusão do trabalho naquele dia, os dois seguiam de volta ao Distrito de Água Comprida a pé. No meio do caminho foram surpreendidos com uma notícia que vinha do serviço de alto-falante Ypiranga que Água Comprida havia sido emancipada, sem precisar passar pelo Plebiscito.  Apolinário conta que a cidade estava fervorosa e  ali encontrou companheiros de luta como deputado Padre Luiz Palmeira que foi um dos autores da Lei nº 1538 de 7 de novembro de 1961 que torna Água Comprida em município. Passando a se chamar Simões Filho em homenagem ao deputado Ernesto Simões Filho, além de Noêmia Meirelles que também se encontrava em meio as comemorações na rua da nova cidade.
Contar essa passagem da emancipação pelo olhar de Antônio Apolinário é importante porque mostra um processo de luta e mobilização popular dos moradores de Água Comprida para tornar aquele distrito em município. No entanto, iniciar esse texto com essa passagem é intencional. Principalmente porque para muitos munícipes a história desta cidade inicia-se com essa passagem, como se o processo histórico que ocorreu nessas terras antes da emancipação e toda mobilização pela emancipação apagasse a história anterior a esse fatos. E que se resumisse  apenas aos últimos anos de independência política.  Por que a história dessa cidade é contada com essa ruptura histórica? 
Os motivos ainda não sabemos, porém a história dessa terra consta deste antes da descoberta do Brasil quando aqui viviam os indígenas e oficialmente após a doação da sesmaria a Sebastião Álvares no ano de 1553. Desta forma, Simões Filho, cidade da região metropolitana, tem 56 anos de emancipada, no entanto,  no século XVII, no ano de 1610 é construída a Igreja de São Miguel de Cotegipe, que mais tarde se tornariam a Paróquia. E paralelo a isso funda-se a Freguesia de São Miguel de Cotegipe na região onde hoje chamamos de Dambe no bairro de Cotegipe.
Essa denominação de Freguesia dá uma configuração de unidade administrativa e religiosa. E torna a localidade em freguesia rural de Salvador. Porque até então essa região não pertencia a Salvador. Então dentro dessa perspectiva são 407 anos da História de Simões Filho enquanto localidade.
Essas terras já se chamaram Cotegipe, rio sinuoso ou caminho das cotias, nome indígena dado pela tribo de etnia tupi que habitava essas terras antes da chegada dos portugueses. Depois passou a se chamar Freguesia de São Miguel de Cotegipe no século XVII, já no século XX passou a se chamar Água Comprida, no entanto a origem desse nome tem algumas versões conta-se que no período da Invasão Holandesa no ano de 1627 os Holandeses se referiam a essas terras como Água Comprida, por ter sua essência assentada no braço do mar, também denominada no século XVII por rio, pelo fato de adentrar a terra sendo assim batizada pelos holandeses. Outra possibilidade seria do distrito de Água Comprida ter herdado o nome do Engenho de Água Comprida propriedade da Família de Teive e Argolo sobre administração de João de Teive e Argolo. No século XIX essa propriedade juntamente com o Engenho Novo de propriedade do seu tio Miguel de Teive e Argolo formavam o que hoje seria a região central dessa cidade e bairros como: Cia I, Cia II, Estrada de Candeias, Ponto Parada, Paulo Souto, Km 25, Vida Nova, Tanque do Coronel, entre outros.  Ambas alternativas são hipóteses.  Também acredita-se que  a localidade Água Comprida será fruto do ramal ferroviário criado com a linha Salvador- Juazeiro, inaugurada e 1860, via Alagoinhas.

Estação de Água Comprida em 1910.
fonte: estaçõesferroviariasdobrasil.com.br

  Cotegipe que era subdistrito de Salvador desde 1911, no ano de 1954 através da Lei 502, Salvador, a capital baiana, divide os distritos em subdistritos e cria 5 novos distritos, onde Cotegipe perde seu status de comunidade sede e transforma-se em subdistrito de Água Comprida.  Estavam sobre o domínio territorial de Água Comprida tanto Passagem dos Teixeiras e  Matoim. O Matoim deixa de pertencer a Água Comprida pelo Decreto de Lei 502, passando a fazer parte da região de Candeias. Como falamos no início do texto o ano de 1961 é quando Água Comprida torna-se uma cidade e passa a se chamar Simões Filho. Nesse período ainda estávamos ligados politicamente à região do Recôncavo. No entanto, no ano de 1967,a região nordeste do Recôncavo irá se reestruturar economicamente devido a atividade petrolífera, petroquímica e industrial formando assim a Região Metropolitana de Salvador- RMS, delimitada pelo Governo do Estado no ano citado anteriormente, com a criação do Conselho de Desenvolvimento do Recôncavo, e instituída em 1973 pelo Governo Militar, com a criação de oito regiões metropolitanas no país.
            Ainda no ano de 1967 é construído o porto e o Centro Industrial de Aratu com a captação de recursos e incentivos fiscais do Banco do Nordeste e da SUDENE. No entanto, sem um programa destinado a infraestrutura transporte, habitação, abastecimento, saúde, educação, cultura e turismo muitos dos seus operários e técnicos passaram a residir em Salvador. Pois nesse primeiro momento os maiores esforços em termo de recursos foram para implantação das indústrias.  Depois de emancipada Simões Filho será palco do progresso industrial, no entanto, esse progresso só será notado fora do centro urbano, pois a população permanecerá como antes. Devemos pensar a História de Simões Filho como uma história cheia de rupturas, devido muitos fatos ainda não terem sido objetos de  pesquisa. Permanecendo assim desconhecido para a maioria da população.   No entanto, essa cidade precisa ser conhecida pela sua história, pelo seu valor histórico tanto a nível local, estadual e nacional. 
           Por isso que hoje 07 de novembro, nós do Projeto Viagem por uma História Comprida dedicamos essa homenagem a História desta cidade. Parabéns Simões Filho pelo seus 56 anos de emancipação e 464 anos de História. 

Ana Cláudia Lopes
Licenciada em História pela UFRB
Pós-graduanda em Educação em Direitos Humanos pela UFBA
           
Referência

AZEVEDO, Paulo Ormindo. Recôncavo, da Marginalização à Reintegração: Envolvente Multimodal ou By-Pass rodoviário? A urbanização de Salvador em três tempos- colônia, império e república. Textos críticos de ordem urbana/ Jaime Nascimento; Hugo Gama. (orgs.). Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, 2011. 407-421p.

HORA, Antônio Apolinário. História Comprida/ Antônio Apolinário da Hora. – Simões Filho: Secretária de Cultura e Desportos, 2005.

Jornal o Município.








domingo, 8 de outubro de 2017

Simões Filho, antiga Cotegipe

        A história de Simões Filho é de antes de 1500, ano do "descobrimento do Brasil". Dados arqueológicos contam que no século IX Indígenas da Tradição Aratu moravam na região que hoje encontra-se o Centro Industrial de Aratu. A tradição aratu é uma definição de 1966 dado pelo arqueólogo Valentin Calderón que através de escavações arqueológicas no sítio Guipe e no sítio da Viúva, localizados na região Parque Industrial de Aratu. Essas escavações arqueológicas achou vestígios de uma aldeia com grandes marcas circulares (habitações) e também foram reconhecidas enterramentos primários (urnas funerárias). Essas escavações indicou que grupos que predominou na região  de Aratu trata-se de grupos de caçadores de pequenas faunas, sedentários, agricultores de grãos, que viviam em grandes aldeias circulares ou semicirculares. Esse grupo viveu nessa região entre os séculos IX ao XV d.C.
Imagem retirada do livro Patrimônio Cultural de Camaçari e Simões Filho.
                Conta-se que essa região era habitada pelos Tupinambás e que bem antes da colonização um grande quantidade de Tapuia habitavam essa região. O nome Cotegipe dessa localidade que hoje chama-se Simões Filho é um nome indígena que significa; Caminho das Cotias.  Sabe-se que no período da colonização no ano de 1553 foi dada à Sebastião Álvares uma sesmaria que localizava-se a Frente da Ilha do Mar (atual Ilha de Maré). Sebastião Álvares e  seu filho Sebastião de Farias lutaram  com os indígenas que habitavam por mais de 30 anos e só depois disso, essas terras foram consideradas tranquilas para serem habitadas pelos portugueses. 
                     Desta forma, Sebastião de Farias após o casamento com Beatriz Antunes de Faria filha do cristão-novo Heitor Antunes começara a construir o Engenho de Freguesia, em 1584,  localizado nas terras do  Matoim. Quando os cristão-novos vinha para América Portuguesa, esses escolhiam a Bahia e Pernambuco para ocuparem, desta forma, muitos vieram construir seus engenhos na região do Matoim. E assim, aqui chegaram e  casaram seus filhos com filhos dos cristãos velhos. Sebastião de Faria será considerado um dos mais poderosos personagens do Brasil quinhentista. Após a morte de seu pai será senhor tanto dos Engenhos de Aratu como da Freguesia, desta forma suas terras iam do Rio dos Macacos até o Matoim. O Matoim ficará pertencendo a Água Comprida (Cotegipe) até o século XX quando decreto de Lei 502 tornará-o  pertencente a Candeias. 

Imagem do site do IPAC
              
         No século XVII o bisneto de Sebastião Álvares vende o Engenho do Matoim/ Freguesia para os Rocha Pita. O Engenho do Matoim será palco de denúncia e julgamento da Tribunal do Santo Ofício no século XVI tendo como principal acusada a sogra de Sebastião de Farias. Essa região ficará pertencendo a  família dos Rocha Pita por anos. Personagem dessa família que ganharam destaques serão  o Barão de Cotegipe e Wanderley Pinho.    


              Sobre os engenhos do Recôncavo Schwartz em Segredos Internos traz: “(...) Fica patente que a maioria dos engenhos localizava-se no litoral da baía  ou ao longo dos rios que nela desembocavam. Aproximadamente metade dos engenhos ficavam na zona de Pirajá, Matoim, Paripe e Cotegipe, região  situada em uma raio de alguns quilômetros  ao norte de Salvador, e que, em meados do século XVII, passaria a ser considerada área pertencente àquela municipalidade. Os índios foram removidos dessas terras logo após a fundação da cidade; fins do século XVI, essa era a parte do Recôncavo mais densamente povoada. Entremeadas com os engenhos havia  muitas plantações de frutas e vegetais  de espécies europeias e americanas, e outras dedicadas ao cultivo da cana-de-açúcar. As desembocaduras dos rios Pirajá e Matoim também  forneciam abrigo para os navios e sustentavam intensa atividade pesqueira (...)”

Ilustração da Baía de Aratu
  Projeto Viagem por uma História Comprida

                   Todos os Engenhos da região de Cotegipe ficava localizados no Recôncavo, pois apenas em 1973 que a Simões Filho antiga Água Comprida e antiga Cotegipe será considerada Região Metropolitana. Desta forma todos os livros que falam sobre o período colonial brasileiro que abordam os Engenhos do Recôncavo trazem alguma informação sobre a nossa cidade.





              Sempre estaremos trazendo informações sobre Simões Filho nos tempos de Cotegipe e Água Comprida. Acompanhe nosso blog e fique sempre informado da História dessa cidade. 



Ana Cláudia Lopes
Licenciada em História pela UFRB

Pós-graduanda em Educação em Direitos Humanos pela UFBA



Referências

COSTA, Carlos Alberto Santos. Patrimônio Cultural de Camaçari e Simões Filho: Resultados da Ba – 093/ Fabiana Comerlato. Jeanne Almeira Dias, Leandro Max Peixoto e Carlos Alberto Santos Costa.- 1º ed.- Cruz das Almas/BA: UFRB, 2015.
HORA, Antônio Apolinário da. História comprida/ Antônio Apolinário da Hora.- Simões Filho: Secretária de Cultura e Desportos, 2005. 112 p.
Monumentos e Sítios do Recôncavo, I Parte. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo do Estado da Bahia, 1978.
PINHO, Wanderley. História de um engenho do recôncavo: Matoim, Novo, Caboto, Freguesia, 1552-1914. Rio de Janeiro: Z. Valverde, 1946. 368 p.
SCHWARTZ, Stuart B. Segredos internos: engenhos e escravos na sociedade colonial, 1550-1835/ Stuart B Schwartz; tradução Laura Teixeira Motta.- São Paulo: Companhia das Letras, 1988. 
VARZEA, Affonso. Geografia do açúcar no Leste do Brasil. Rio de Janeiro: Gráfica Rio-Arte, 1943. 428 p.